mayara c.
"No fundo, por que tinha vindo? Agora sabia. Fizera essa viagem para se convencer de que a realidade é mais do que o sonho, muito mais do que o sonho"
(Milan Kundera)

Sempre achei essa coisa de amor tão rara e difícil, essa coisa das referências certas dentro dos planos certos, com trilha sonora e alguns momentos intensos. Coisa difícil de se acontecer. E hoje, me deparo com paredes de negação, mostrando que sim, o amor é possível, o amor existe, o amor faz viver.


A diferença, talvez sutil e pelas mãos de Kundera: é separar o sonho da realidade. É ver que a realidade do amor, é melhor do que o sonho. Que nada vale os momentos do toque, dos beijos, do amor consumado.

Aprendi a te amar mais a cada dia, independente do que aconteça. Aprendi instantaneamente do momento em que nos falamos. E sei que nosso amor é pra sempre.
mayara c.
Capitulo 13

1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
2 E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
3 E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
4 O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
5 Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
6 Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
7 Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
8 O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
9 Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
10 Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.
11 Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
12 Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.

1 ª EPÍSTOLA DE S. PAULO AOS CORÍNTIOS
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mayara c.
Eu amo você por sermos cúmplices. Gostamos de frio, chocolate quente e coincidências; não gostamos de soluços e silêncios. Gosto também da insônia, que nos deu uma coleção de madrugadas para relembrar. Gosto das histórias de Machado que compartilhamos e de conversar sobre elas.
Amo demais o seu jeito como que azul de rir, o seu olhar simplesmente de ventania, feito aquelas manhãzinhas com geada ou uma manhã de outono. Amo amar a maneira como seu coração parece expandir o tempo todo. A maneira que a gente se parece em tanta coisa. A maneira com que você passa a mão nos cabelos. A maneira que você fala.
Amo o nosso respeito. Amo o nosso medo que temos de perdermos um ao outro. Amo a nossa sintonia, a nossa simetria. Amo aquilo que se move em você, as coisas que você cultiva em redor, as cores que você escolhe. Quando você pergunta as coisas diretamente, dum jeito que ninguém pergunta.
Amo seus gostos, seu tom, sua educação, te ver modificar as coisas, suas omissões e seu interior tão, mas tão finamente lapidado. Sua ausência não é amarga, uma parte de você sempre fica do meu lado, é um pedaço de mim, vigilante.

Amo você porque somos partes. Porque somos reticências. Porque além de muitas coisas, somos o que somos. E porque só juntos, existimos.

Feliz 2 meses.
mayara c.
"Diga o que você quiser, faça o que você quiser. Não diga nada, se achar melhor. Minta, não será pecado. Mas se contar tudo, não esqueça de dizer que sou feliz assim"
Caio F. - Onde andará Dulce Veiga?

Como sempre, os melhores dias. Reparo que, a cada encontro, consigo ser ainda mais feliz, me sentir ainda mais viva, mais completa.

Mas eu sinto falta.
Mesmo se o tivesse aqui todos os dias, sei que não seria suficiente. Sem ele, não caibo dentro de mim.

E machuca. Não só a distância. Mas ver a falta de fé alheia me olhando nos olhos. Mas continuo, com aquela fé louca que sempre me rodeia, a fé e esperança de que sim - o dia chega. E quando eu olho nos teus olhos, eu sei que vai chegar, que tudo é feito pra dar certo, que Deus está do nosso lado mesmo se todos estiverem contra. Quando eu olho nos seus olhos, é quando eu me sinto viva.
mayara c.
Passou-se o tempo em que eu mais aprendi.

Fases de aprendizado normalmente são difíceis e repletas de situações inesperadas. Mas agora, eu sei que posso dizer que realmente, eu aprendi a amar.

Aprendi que não significa só estar presente em todos os momentos, mas que é necessário saber estar presente em todos os pensamentos. Que não são os opostos que se atraem, mas sim os particularmente semelhantes: o jeito de andar, de comer, os gostos, as músicas, o olhar, as manias; características pessoais que se não forem compartilhadas com alguém semelhante, jamais serão compreendidas.

Percebi o quanto eu gosto de como meus pés balançam enquanto eu fico sentada no seu colo, o quanto é bom te agarrar o tempo todo, grudar no seu pescoço, sentar no mesmo assento do ônibus, tomar banho juntos, dividir uma coca 2L e a mesma escova de dentes.

Reconheci o quanto é importante saber dar espaço e respeitar, sem deixar de estar junto. Que estar perto é sim, uma dádiva, e que nada jamais substituirá isso.

Construí um Universo Particular, repleto de nossas particularidades tão, mas tão nossas. E a necessidade que aumenta a cada dia, só me faz sentir mais feliz, mais completa.

Descobri como é bom viver. Como é bom contar as moedas pra comprar um sanduíche natural e uma sukita uva, como é engraçado não conseguir ser desonesta, como eu preciso das suas pernas junto as minhas durante a noite, como eu gosto do seu perfume invadindo o quarto, como eu não páro de olhar os seus cabelos molhados e bagunçados depois do nosso banho, como eu adoro entrar debaixo das cobertas tremendo de frio, como eu preciso ficar agarrada em você durante todos os segundos, como eu sou feliz a toa só por estar junto, como eu amo não só as expressões esparsas mas também cada careta, como eu preciso do seu jeito de me animar, como eu gosto de ser boba, como eu deixei de me importar caso vissem o quanto sofro e choro só de pensar que vou ficar longe.


Eu descobri que sem você, meu amor, a vida não tem graça.


E isso, é impagável. Amores crescem sim, em pequenos copos de café. Quando os copos não aguentam mais, só é preciso transferir para um lugar maior. Amor não nasce, amor não morre. Amor se acha e se constrói. Agora, eu só quero você, pra gente construir a nossa história.
mayara c.
Alguém mais sábio que eu disse:


Diante das dificuldades e desafios que a vida nos propõe muitas vezes o mundo parece conspirar para que a gente desista. Somos tentados a deixar para trás não apenas nossos sonhos, mas também pedaços de nós e de tudo em que acreditamos. Entretanto, para quem confia em dias melhores e em si mesmo esse é o momento exato para reerguer-se e lutar.

Não importa de onde venha a nossa força, já que a verdadeira fé independe de crenças e religiões. O que interessa é buscar estímulos para seguir em frente, superar obstáculos, batalhar pelos nossos ideais. O que precisamos é acreditar que tudo é possível quando cultivamos a esperança dentro de nós.
Milagres acontecem todos os dias, por toda a parte. Contudo, só os reconhece quem tem um coração repleto de fé e esperança: quem se atreve a sonhar.



Que não somente eu, mas todos nós, tenhamos essa esperança, todos os dias.
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mayara c.
mayara c.
Eu sinto falta do que ainda não aconteceu. Das palavras que não ouvi, dos clichês não inventados, dos cafés que não tomei. Eu sinto falta dos bombons que ainda não ganhei, dos beijos que não dei, e das cartas que não recebi nem escrevi. Sinto falta de tudo de bom que ainda não veio para a minha vida, e não sinto falta do que já foi. Eu fui capaz de superar as faltas que já senti. Eu não as sinto mais, fato.

Comprei a passagem. Dia 18, 14h55. Meu estômago fica frio, parece que tem algo se debatendo lá dentro. Sobe um frio na espinha.

E eu só espero um toque pra dizer que te amo amo amo...
mayara c.
"Love is about going that extra mile even if it hurts, letting it all hang out there. Love is about finding courage inside of you that you didn't even know was there."

Quero logo um dia ou outro levantar insone, alta madrugada. Só para lhe ver dormindo. Para sentir, enquanto fito seu sono pesado, aquele nó na garganta de uma felicidade estranha, contida em cada poeira de cotidiano. Aquela cosia que não se explica, só se sente borboleteando estômagos, formigando lábios, bambeando pernas, taquicardias. Qualquer coisa próxima, símile ou diabos: de amor.
mayara c.
De londrina a londres
não é qualquer esquina,
qualquer menina,
serra e neblina
de londres, a londrina
não é pequena sina,
não somos mais longe,
só não é o mesmo clima
de londrina até londres
tem som de tangerina
que foge dos sabores
selando dois amores
de londres a londrina
não é qualquer esquina
qualquer guitarra
que me erra, amarra
me alucina a inglaterra
de londres a londrina
te esperei na marina,
meu amor é teu intacto,
minha cratera é teu impacto
de londres a londrina
oceano se destina
aos rios sem horizonte
sem beijinhos ou ponte,
à paixão que não se ensina
de londrina a curitiba
de londrina até londres
de londres a londrina
faz da nau um verso torto
nosso mar um amor absorto
com peixinhos, sem um porto
de londres, a londrina...
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mayara c.
Guardo uma dor abafada no peito.

O anoitecer é terrível e custa a passar. Depois que acaba a novela da seis (que minha mãe faz questão de assistir em volume alto, com muito gosto), um vácuo se abre e fico assim, zanzando pela casa, sem muito o que fazer. Ou durmo. Ou fico na cozinha, conversando com os meus pais. Enfim. Não importa.

E as noites, quando caem, estão péssimas. Álgidas e sombrias, como todo bom inverno deveria ser. A cidade está coberta por uma neblina espessa, daquelas que se custa a enxergar um palmo à frente. Frio de doer na ponta do nariz e desejar um fondue, um copo de conhaque, um edredon em boa companhia.

Não saí nenhuma das noites. Não bebi. Mas é bom. É bom aquele entorpecimento sem estar rodeada por pessoas, é bom engatar aqueles papos desimportantes com a única intenção de passar o tempo. E, por causa de Vinícius, sempre fico comovida como um pobre diabo, ali beirando a meia-noite. Cantarolo "Onde anda você" ("Hoje eu saio na noite vazia, numa boemia sem razão de ser/ Na rotina dos bares, que apesar dos pesares me trazem você..."), com o peito apertado de saudade.

Sim, Saudade. Maiúscula. Difícil de lidar. Principalmente quando estou sozinha em casa, imersa em silêncio. Ou ao voltar para casa, olhando pelas janelas do ônibus, sem som. Ou quando pega de surpresa pela lembrança daquelas milhares de coisas pequenas, que só eu ou você sabemos. Dói. E fico feliz por estar doendo, por estar sentindo, por estar voltando. Fico assim, contando os segundos no relógio, na espera por um toque de celular perdido pelo dia.

E ainda tem outras milhares de coisas que eu gostaria de contar. Essas miudezas do cotidiano em casa. Mas não quero fazer deste post um livro...
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mayara c.
Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé , doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, a cabeça e as costas, de tanto desenhar.

Mas o que mais dói é a saudade.

E a saudade que acaba sendo a mais dolorida é a saudade da pessoa que você ama. Você nunca tocou, mas sente falta da pele, do cheiro, dos beijos, da presença e até da ausência consentida.

Você podia ficar no quarto e ele na sala, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para a médica e ele pra faculdade, mas sabiam-se onde. Vocês podiam ficar o dia sem se falarem, mas sabiam-se amanhã.

Saudade é basicamente não saber.

Não saber se ele está fungando na cidade fria. Não saber se ele está tossindo por causa daquela alergia. Não saber se ele está usando aquela blusa. Não saber se ele está fazendo as refeições como prometeu. Se ele tem assistido às palestras, se conseguiu entrar na internet, se está passando frio, se teve crises por falta de açúcar, se está rindo com os amigos, se está bem.

Saudade é não saber.

Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a si mesma o tempo todo por isso...



Saudade é não saber de quem se ama, e ainda assim doer.
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mayara c.
Acho que todos já tiveram a experiência de, no alto de seus seis ou sete anos, cultivar um feijão em um copo de café. Embeber um algodão em água e colocá-lo, como não quer nada, num canto que bata um pouco de Sol. E observar, com a respiração presa e o coração quase saindo pela boca, aquele filete verde-vivo de vida sair por dentro da casca morta e se exibir, magnânimo, como prova suprema que a vida existe até nas coisas mais adormecidas.

Lentamente acompanhar, no dia-a-dia, o seu desenvolvimento. E sem perceber, ali uns três ou quatro dias depois, que aquele pequeno pé de feijão já ultrapassou as bordas do copo, vai crescendo cada vez mais para o alto, cada vez com mais viço e afinco. E a gente se apaixona, dessas paixões bestas e infantis, por aquele pequeno broto de vida. E a gente vai acreditando que aquilo vai frutificar, vai encorpar, vai ultrapassar todas as barreiras e se fechar como uma frondosa e convidativa árvore.

Quase que instantâneo. Amor também é assim.
mayara c.
Ninguém imaginaria, no início, o que eu pretendia. Talvez eu também não fizesse idéia das dimensões que minhas tão poucas palavras, soltas no mundo, trariam como conseqüência. Até aquela época, eu julgava que essas palavras soltas eram vazias de significado e alheias ao mundo real que me cercava. Foi daí que um longo e estranho aprendizado aconteceu. Um aprendizado realmente humano. Meus pensamentos, sensações e idéias foram tomando corpo quando as palavras escapavam. Após um certo tempo, percebi que as palavras antigas pareciam não ser mais minhas: estava dentro de um processo evolutivo imperceptível no dia-a-dia, mas notável a longo prazo.

Era uma caminhada solitária e coletiva. Fazia meus próprios passos, escolhia os próprios caminhos. Mas era assistida por muitas e desconhecidas pessoas, que, com diferentes graus de interferência, também ajudaram a escolher caminhos e desenhar trajetos. Logo senti uma necessidade pungente de reforma.

Por uma única pessoa, comecei a derrubar paredes, mudar a mobília, escancarar as janelas. Perceber as coisas com menor gravidade, menos imediatismo, menos desespero. Ele me fez começar a perder o medo excessivo das pessoas e das distâncias, criar coragem para enfrentar o mundo que espreitava além das cortinas. Esqueci velhos crimes e parti em busca de novas formas de redenção.

E o garoto agora está lá e eu aqui, prontos para virar uma nova página. E logo veremos a obra completa do que se está construindo. No meu mundo, isso seria ciano com um toques de magenta.
mayara c.
eu só sei que me entregava inteiramente em suas mãos pra que fosse completo o uso que ele fizesse do meu corpo.
R. Nassar

Me sinto como uma coisa inteiramente viva. Não postei porque me faltam as palavras, como se houvessem sido tiradas de mim. Ou foi uma troca justa.
Cada vez mais, vai outonando. Baixinho, Caetano cita meu futuro, e eu espero. Espero espero espero.
É tudo inovador. É realmente novo pra mim. Me entreguei. A cada segundo que passa, sou mais viva, mais mulher.
mayara c.
O amor não se cria, não é para se criar.
O amor é quase como um estado, que só existe para quem se sente. O amor é a melhor parte de nossa alma, é o desabrochar.



Desabrochar e aprender a ter orgulho em correr atrás do que não sabe, de viver algo que não se vê, de desejar o que não se toca, de ganhar uma nova vida, uma nova razão.
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