mayara c.
Ninguém imaginaria, no início, o que eu pretendia. Talvez eu também não fizesse idéia das dimensões que minhas tão poucas palavras, soltas no mundo, trariam como conseqüência. Até aquela época, eu julgava que essas palavras soltas eram vazias de significado e alheias ao mundo real que me cercava. Foi daí que um longo e estranho aprendizado aconteceu. Um aprendizado realmente humano. Meus pensamentos, sensações e idéias foram tomando corpo quando as palavras escapavam. Após um certo tempo, percebi que as palavras antigas pareciam não ser mais minhas: estava dentro de um processo evolutivo imperceptível no dia-a-dia, mas notável a longo prazo.

Era uma caminhada solitária e coletiva. Fazia meus próprios passos, escolhia os próprios caminhos. Mas era assistida por muitas e desconhecidas pessoas, que, com diferentes graus de interferência, também ajudaram a escolher caminhos e desenhar trajetos. Logo senti uma necessidade pungente de reforma.

Por uma única pessoa, comecei a derrubar paredes, mudar a mobília, escancarar as janelas. Perceber as coisas com menor gravidade, menos imediatismo, menos desespero. Ele me fez começar a perder o medo excessivo das pessoas e das distâncias, criar coragem para enfrentar o mundo que espreitava além das cortinas. Esqueci velhos crimes e parti em busca de novas formas de redenção.

E o garoto agora está lá e eu aqui, prontos para virar uma nova página. E logo veremos a obra completa do que se está construindo. No meu mundo, isso seria ciano com um toques de magenta.
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